As Flores É Que Sofrem

Gosto de orquídeas, sempre gostei. Da suavidade das formas, da beleza dos contornos, das cores leves. Um cor de rosinha, um amarelusco, até as branquelas. São mesmo lindas. É uma flor verdadeiramente bo-ni-ta. Mas, apesar deste lado tão espectacular, fazem-me sustentar uma relação de amor-ódio. Tantas relações assim por este mundo fora, lá tinha eu de arranjar mais uma e, com o raio de uma planta... Enfim, adiante.

Ora amor porque, em tempos, pedinchei, pedinchei e o meu mais-que-tudo na altura lá trouxe da casa dos papás, 6 vasos com a dita cuja. A mãe ainda o adverteu: "Se depois de acabares o curso me trazes uma, uma que seja, estragada, eu dou-te cabo dessas costas!" Eu nunca cheguei a conhecer a senhora, é que na minha primeira relação séria, de 4 anos, tive a minha dose de família, sogros, sogras, cunhadas e, até sobrinhos. Na relação seguinte, a do menino-das-orquídeas, chamemos-lhe assim, que durou 2 anos (sim eu sai de uma para me meter logo noutra, não aprendo...) não voltei a cometer o mesmo erro, a não ser ter conhecido o irmão dele, quando nas férias do nosso segundo ano, foi ver a casa, partilhada por quatro, onde o menino-das-orquídeas e eu viviamos perto da faculdade (pois, eu vivia debaixo do mesmo tecto... não erro numas, erro noutras... eu ás vezes não sei onde tenho a cabeça...).

Adiante, as orquídeas. Mal chegou num domingo com os vasos, colocámo-los tres na varanda dos quartos (a varanda era comum a todos os quartos) e dois na varanda da cozinha e sala (sim, eramos uns sortudos, a casa era espetacular e também no preço, um verdadeiro milagre heheh). Ele sempre as tratou com imenso cuidado, mesmo no Inverno que era uma grande tortura. Eu estava radiante! Depois que sai de lá, em Janeiro, só lá voltei na Queima em Maio e, quando me deparo com os vasos completamente secos, deu-me um aperto no coração... Acontecera exactamente o mesmo como o nosso amor, tinha morrido. Ia morrendo. Fiquei triste...

Falo pela vida das plantas mas, também, pelo significado que tinham sobretudo para mim. O valor sentimental que me traduziam. Acordei nesse fim de tarde. Vi que as coisas, mesmo as mais fragéis, belas e simples, se não se cuidam acabam por desaparecer, por desabar, por enfraquecer. Já o sabia. Nas relações sucede exactamente o mesmo. Eu sou apologista do "quem gosta, cuida". Ele não devia gostar assim tanto das orquídeas e, de mim... já seria outra história.

Ódio. Agora as orquídeas mexem comigo, mexem! Tento não olhar para elas, evitá-las. Ainda têm uma conotação negativa, uma associação aqueles momentos que vivi. Talvez um dia isto acabe por passar. Assim o desejo porque são flores demasiado especiais para as tirar o pódio das favoritas.      

4 Responses
  1. S* Says:

    Infelizmente o facto dele não tratar bem das orquideas pode ser um sinal de que algo não estava bem... ou então simples distracção.

    Mas não desprezes essas flores, que são tão bonitas. :)


  2. Rosie Dunne Says:

    as orquideas são as minhas flores preferidas :)


  3. Menina Says:

    Não fazia ideia esta história das orquídeas..é mesmo incrível como até as flores acabaram por morrer..parece daquelas histórias que só se vêm nos livros..

    Mas qualquer dia surgem outras flores, não orquídeas..mas rosas ou tulipas ou malmequeres =) e votam a florescer bonitas como tu :)

    beijinho*


  4. Lança Says:

    As minhas estão todas a começar a florir agora! :)

    As tuas também, um dia, vais ver... *

    (aconteceu-me o mesmo com Bonsais... e continuo a ter :)